quinta-feira, 23 de março de 2017

A Síndrome do Liberal Pobre



Imagine um grupos de bois defendendo os direitos do dono de um açougue; um bando de cães protegendo o funcionário da carrocinha; os animais silvestres se unindo pela causa dos traficantes de animais; as galinhas lutando pelos ideiais e necessidades das granjas; os insetos agindo em apoio aos exterminadores. Parece estranho? Absurdo? Normal?

Agora imagine trabalhadores que defendem os privilégios de seus empregadores! Junte isso à uma mídia que é paga por esses empregadores! Ligando os pontos você entenderá o que aconteceu no Brasil de 2015 para cá. Movida por uma mídia paga pela empresariado, parte da sociedade se mobilizou para derrubar um governo e instalar um novo, apoiado pelo mesmo empresariado. Esse fenômeno foi classificado por este que escreve de "Síndrome do Liberal Pobre". Trata-se de uma epidemia que atinge sobretudo o Sul e o Sudeste do país. Ela está se alastrando muito rápido e provocando diversos estragos por onde passa. Ela se manifesta através do machismo, do analfabetismo político, da homofobia, do ufanismo e da superficialidade. Pessoas contaminadas com essa síndrome não conseguem ver além das aparências, aceita tudo que lhe é dito (mas tem que ser através do telejornalismo, rádio ou algumas capas de revistas) possui uma cegueira que só permite que ela veja os crimes e os erros do PT, impossibilitando de criticar qualquer outra coisa.

Para entender melhor esse mal, uma breve explanação sobre o liberalismo. Essa doutrina econômica pressupõe que o mercado funciona como um organismo vivo e que se autorregula pela lei da oferta e procura. O Estado deve ficar de fora desse sistema a fim de não contaminá-lo. Ao longo do século XX surge o Neoliberalismo, reforçado pela ideia que o Estado deve ser mínimo, se desfazendo de suas obrigações reduzindo sua carga tributária. Seguir essa doutrina significaria crescimento econômico e prosperidade para todos. Sim! Para todos! Se existem excluídos no Estado liberal é por culpa deles mesmos, pois no liberalismo todos são livres para competir e vencer, cabendo a cada o ônus pelo seu fracasso. Infelizmente esse ônus acaba recaíndo sobre as minorias: pobres, negros, homossexuais, trabalhadores, mulheres, crianças. Seria por mera incompetência? Segundo os portadores da Síndrome do Liberal Pobre, sim.

Normalmente, os portadores da síndrome organizam e participam de protestos e manifestações e militam na internet defendendo pautas como a reforma da Previdência, a Lei da Terceirização, a reforma do Ensino Médio, os cortes em gastos com saúde e educação, o fim da CLT e acham que o empresário deve ser bem tratado no país. Costumam ter delírios imaginando que a proteção ao trabalhador sufoca os coitadinhos dos empresários e aumenta o desemprego.

Essas pessoas passam o tempo defendendo seus patrões nas redes sociais, esbravejam contra aqueles que pensam o contrário, não entendem a importância de uma greve ou paralização, são adoradores de um determinado político de tendências nazi-fascistas, superficializam as lutas do feminismo e classifica qualquer ofensa racista como vitimismo.


Agora a pergunta principal: Essa doença tem cura? Sim! Fique tranquilo! Mas o tratatamento deve ser persistente e não pode ser interrompido. Dosagens homeopáticas de estudos de História, Geografia, Sociologia e Filosofia podem resolver o problema, mas é claro que o paciente deve reconhecer sua condição. Contudo, o governo, pago pelo empresariado, está limitando o acesso a esses recursos que podem despertar a consciência do doente e fazê-lo reconhecer o mal que ele fez.