quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A culpa é de Paulo Freire! PAULO FREIRE?


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O que dizer sobre a carreira do professor no Brasil? Como profissional da educação, não poderia ficar em silêncio depois do acontecimento dessa semana. Uma professora em Santa Catarina foi brutalmente agredida por um aluno de 15 anos. A mesma expôs a situação nas redes sociais e o mais espantoso é que, além das mensagens de força, indignação e apoio, vieram os ataques

Ao longo da minha carreira inciada em 2007, interrompida em 2008 e onde atuo desde 2012, foram poucos os momentos em que me senti frustrado e indignado pela condição da área que escolhi seguir. O fato mais estarrecedor foi o massacre de professores ocorrido no Paraná em 2015. Naquele momento os mesmos protestavam contra a injustiça do governo daquele estado, contudo, a opinião pública os desenhou como vagabundos e desocupados. Agora, uma professora covardemente agredida é atacada nas redes sociais em virtude do exercício de sua profissão. Não sei o que dói mais: O fato de eu poder ser o próximo a ser agredido ou assassinado ou as pessoas justificarem a barbárie usando atitudes minhas durante minha atuação. Aliás, no Brasil justifica-se tudo: a menina foi estuprada porque andou usando roupas vulgares, o cara foi assaltado porque ousou atender o celular caro aos olhos do público, o cidadão tinha que ser morto porque não tinha que fazer na porta do bar de madrugada, a professora foi espancada porque "doutrinava seus alunos" e por isso mereceu. Onde a gente vai parar?

Nesse momento em que escrevo encontro a mais ignorante e imbecil de todas as justificativas: "A culpa é do método Paulo Freire"! Infelizmente não tenho coragem de arrancar meus olhos e nem como apagar minha memória depois de ler o artigo que culpa o educador. Ele aponta o construtivismo como fator predominante para o aumento da indisciplina e violência nas escolas. Equívoco, imbecilidade ou má intenção mesmo!

Em primeiro lugar, não existe "método Paulo Freire". O educador apontou o que ELE considerava importante no ato de educar. Defendeu que uma educação libertadora que formasse um sujeito autônomo, capaz de agir conscientemente no seu meio. Não me recordo de uma metodologia didática criada pelo mesmo, com o passo a passo a ser seguido. Em segundo lugar, construtivismo não pressupõe indisciplina e abandono da hierarquia dentro da sala de aula. O método propõe (esse sim é um método) que o professor deixe de ser o transmissor do conhecimento para ser o mediador do conhecimento. E, em terceiro lugar, gostaria de saber qual escola, pelo menos em São Paulo, aplica o método construtivista. Ao longo da minha curta carreira de pelo menos seis anos trabalhei em oito escolas diferentes entre públicas e particulares. Em todas elas só era aplicado o método tradicional! Algumas se diziam construtivistas em seus documentos, mas a prática sempre diferiu da teoria. Mesmo em minha época de estudante, entre 1992 e 2004, jamais fui submetido ao método construtivista. Então eu pergunto: como um educador que mal teve seus ideais colocados em prática nas salas de aula Brasil afora pode ser culpado pela violência nas escolas do século 21?

De quem é a culpa então? O autor que vos escreve tem nesse momento um palpite. O problema é a falta de educação. Não! Não estou falando da educação do sistema de ensino que rege a educação oficial. Falo de educação mesmo! Aquela que recebemos em casa, que nossos pais ou responsáveis nos deram! O aluno de hoje é um indivíduo que não conhece limites e que não aprendeu a respeitar o próximo. Vários fatores podem ser responsáveis pelo problema da educação doméstica, desde o descaso dos pais para com os filhos em virtude do trabalho árduo que exercem no seu dia a dia até a falta de interesse mesmo. O modelo que a indústria cultural cria de popularidade também não é aquele que exalta o estudo, o respeito e a preocupação com o futuro. Isso produz crianças desregrada e despreocupada com a realidade que a cerca.

Infelizmente, para a direita aproveitadora, a resposta para o problema não é tão simples como apontada no artigo do Blog do Linhares. A verdade é que o mal que assola a educação (indisciplina) deve ser analisado sob o contexto social e não isolado em si mesmo. Importante também é realmente ler os autores da educação antes de citá-los. Portanto, o momento que deveria ser de reflexão quanto à carreira docente e seus desafios, acaba servindo mais uma vez para destilar o ódio e denegrir uma classe que já é bastante precarizada!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Como produzir e consolidar um golpe


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Segue uma receita muito útil e eficiente para você, que tem problemas com a justiça, mas não quer ser investigado e, ainda por cima, permanecer no poder e sair como o grande líder reformador que recuperou a economia do país. Siga os passos abaixo que não tem como dar errado:

Ingredientes

  • Apoio da mídia;
  • Amizades com juízes;
  • Controle sobre lideranças de movimentos de extrema direita;
  • Dinheiro e verbas;
  • Acordos com políticos corruptos;
  • Números manipulados da economia.

Modo de preparo

O primeiro passo para começar a receita é ocupar o cargo que você deseja. Para isso você precisa ser o próximo na linha sucessória para o dito cargo como, por exemplo, um “vice”. Prometa aos grandes meios de mídia (televisão, blogueiros renomados, jornais, periódicos etc.) ampliar a verba para propagando. Com isso você conseguirá o apoio da mídia. Ela será fundamental para denegrir, paulatinamente, a imagem do ocupante titular do cargo que você quer ocupar.

Mas o apoio da mídia por si só não basta. É preciso conseguir o apoio das massas. Os meios de comunicação são importantíssimos, mas movimentos liderados por jovens de extrema direita podem ser bem útil. Financieesses movimentos através de seu partido para poder controla-los e fazer com queeles defendam as pautas que na verdade são suas. Como boa parte das massas costumam repetir como papagaios aquilo que lhe é imposto, não será difícil que elas mesmas exijam a mudança de ocupante no cargo que você quer.

Com o bombardeamento da mídia e o movimento das massas, o titular do seu futuro cargo irá balançar. Aproveite a sua amizade com juízes para que eles façam vistas grossas à tudo que estará acontecendo. Não se esqueça de prometer um gordo aumento salarial para eles caso você ascenda ao cargo que deseja.

Deixe tudo cozinhar em banho-maria e logo os parlamentares irão julgar os “crimes” do titular do seu cargo. Para que o julgamento alcance o resultado que você deseja é necessário que você convença os políticos que irão votar nessa questão sobre as vantagens da troca. Você pode prometer futuros ministérios, verbas parlamentares e, em último caso, coagi-los, já que boa parte deles tem problemas com a justiça e não gostariam de ser julgados.

Pronto! É só esperar! O titular do cargo será deposto e você assumirá por ser vice. Mantenha os laços criados durante esse processo para que o resultado seja duradouro. Cumpra a promessa feita aos juízes para ter apoio caso você seja submetidos à uma investigação. Eles terão um discurso bem convincente para te absolver. Também reserve parte do dinheiro. Ele vai serusado para comprar os parlamentares em caso de votação sobre um processo deinvestigação sobre os crimes cometidos por você.

Pode ser que as massas não gostem muito das suas absolvições. Contudo, a mídia, os movimentos de direita e os economistas mal intencionados irão exaltar a recuperação econômica. Darão a você o mérito da redução da inflação, por exemplo. Mas você não pode deixar o povo perceber que a inflação cairia de qualquer jeito por conta do desemprego.


Se você seguiu conforme descrito nos passos anteriores, parabéns! Você aprendeu a dar um golpe e, de quebra, convencer aspessoas de que foi bom colocar você no poder.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

02/08/2017 - Dois pesos, duas medidas



Todos são iguais perante a lei. É o que diz nossa constituição. Contudo, o correto deveria ser "alguns são privilegiados perante a lei". Qual é o peso das pedaladas fiscais diante de uma acusação de corrupção passiva? O que é um decreto de crédito suplementar em comparação a um mala de R$500 mil? Muitos reclamam do resultado da votação do dia 02 de agosto, mas não põe esse resultado lado a lado com o que tirou a antiga ocupante do cargo para colocar o atual, que foi salvo.

O que justifica o resultado? Por que nossos representantes timidamente disseram "sim" e saíram de foco quando da outra vez disseram a mesma coisa em meio a discursos inflamados contra a corrupção e a favor da honestidade na política? Por que as pessoas comuns, meros mortais que nem sequer puderam acompanhar ao vivo a votação, hoje murmuram apenas quando outrora batiam panelas?

Essa votação é uma amostra de que prevaleceu os interesses do poder econômico. Esse queria a antiga presidente fora e tirou através de propaganda massiva, controle da mídia, boicote às medidas fiscais, manipulação de seus fantoches nas câmaras e aproveitando da força de garotos propagandas como aqueles de um grupo que se diz apartidário mas recebe verba de partidos políticos, ganham cargos em prefeituras e se filiam a partidos para concorrer nas eleições.

O mesmo poder econômico que trocou o governo, agora agiu para manter a troca. A saída do atual presidente poderia resultar na obstrução das tão sonhadas reformas, que vendem sonhos para os pobres mas que no final tornarão o poder econômico ainda mais poderoso. É desse poder que vem as verbas para campanhas políticas, o dinheiro das propinas e a manutenção das regalias. 

Em nome de uma suposta retomada da estabilidade econômica, engole-se o que é ilícito. Em nome de uma falsa retomada do emprego ignora-se a corrupção, o cabide de empregos, o "toma lá da cá". Fomos feitos de palhaços, usados como idiotas. Os que conclamaram os brasileiros às ruas para mudar, são os que hoje riem às nossas costas. Falta de aviso? Talvez não.

quinta-feira, 23 de março de 2017

A Síndrome do Liberal Pobre



Imagine um grupos de bois defendendo os direitos do dono de um açougue; um bando de cães protegendo o funcionário da carrocinha; os animais silvestres se unindo pela causa dos traficantes de animais; as galinhas lutando pelos ideiais e necessidades das granjas; os insetos agindo em apoio aos exterminadores. Parece estranho? Absurdo? Normal?

Agora imagine trabalhadores que defendem os privilégios de seus empregadores! Junte isso à uma mídia que é paga por esses empregadores! Ligando os pontos você entenderá o que aconteceu no Brasil de 2015 para cá. Movida por uma mídia paga pela empresariado, parte da sociedade se mobilizou para derrubar um governo e instalar um novo, apoiado pelo mesmo empresariado. Esse fenômeno foi classificado por este que escreve de "Síndrome do Liberal Pobre". Trata-se de uma epidemia que atinge sobretudo o Sul e o Sudeste do país. Ela está se alastrando muito rápido e provocando diversos estragos por onde passa. Ela se manifesta através do machismo, do analfabetismo político, da homofobia, do ufanismo e da superficialidade. Pessoas contaminadas com essa síndrome não conseguem ver além das aparências, aceita tudo que lhe é dito (mas tem que ser através do telejornalismo, rádio ou algumas capas de revistas) possui uma cegueira que só permite que ela veja os crimes e os erros do PT, impossibilitando de criticar qualquer outra coisa.

Para entender melhor esse mal, uma breve explanação sobre o liberalismo. Essa doutrina econômica pressupõe que o mercado funciona como um organismo vivo e que se autorregula pela lei da oferta e procura. O Estado deve ficar de fora desse sistema a fim de não contaminá-lo. Ao longo do século XX surge o Neoliberalismo, reforçado pela ideia que o Estado deve ser mínimo, se desfazendo de suas obrigações reduzindo sua carga tributária. Seguir essa doutrina significaria crescimento econômico e prosperidade para todos. Sim! Para todos! Se existem excluídos no Estado liberal é por culpa deles mesmos, pois no liberalismo todos são livres para competir e vencer, cabendo a cada o ônus pelo seu fracasso. Infelizmente esse ônus acaba recaíndo sobre as minorias: pobres, negros, homossexuais, trabalhadores, mulheres, crianças. Seria por mera incompetência? Segundo os portadores da Síndrome do Liberal Pobre, sim.

Normalmente, os portadores da síndrome organizam e participam de protestos e manifestações e militam na internet defendendo pautas como a reforma da Previdência, a Lei da Terceirização, a reforma do Ensino Médio, os cortes em gastos com saúde e educação, o fim da CLT e acham que o empresário deve ser bem tratado no país. Costumam ter delírios imaginando que a proteção ao trabalhador sufoca os coitadinhos dos empresários e aumenta o desemprego.

Essas pessoas passam o tempo defendendo seus patrões nas redes sociais, esbravejam contra aqueles que pensam o contrário, não entendem a importância de uma greve ou paralização, são adoradores de um determinado político de tendências nazi-fascistas, superficializam as lutas do feminismo e classifica qualquer ofensa racista como vitimismo.


Agora a pergunta principal: Essa doença tem cura? Sim! Fique tranquilo! Mas o tratatamento deve ser persistente e não pode ser interrompido. Dosagens homeopáticas de estudos de História, Geografia, Sociologia e Filosofia podem resolver o problema, mas é claro que o paciente deve reconhecer sua condição. Contudo, o governo, pago pelo empresariado, está limitando o acesso a esses recursos que podem despertar a consciência do doente e fazê-lo reconhecer o mal que ele fez.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Motivos que comprovam que você pagou o pato



Quase um ano após o afastamento de Dilma Rousseff, algumas análises mostram que o tiro saiu pela culatra ao desejarmos sua saída. Vejam a seguir sete motivos que comprovam que fomos enganados e que pouco nos importamos com isso:

1 - Pelo fim da corrupção?

Uma das principais bandeiras levantadas durantes os protestos era a luta contra a corrupção. Limpar o governo dos "corruPTos" era fundamental para que o país se reorganizasse e recuperasse sua moral. Entretanto, a corrupção não só continua como boa parte dos corruptos que não faziam parte do governo passaram a fazer. A Lava Jato sofre um risco de abafamento e o juiz que foi indicado para ocupar a vaga de Teori faz parte da equipe atual do governo federal o que, no mínimo, é estranho.

Leia o artigo completo AQUI

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O brasileiro e sua indignação seletiva



Ano de 2015. Mal começava o segundo mandato de Dilma Rousseff e o povo (segundo a grande mídia) já não a queria mais. Gigantescas manifestações - convocadas por movimentos conservadores, endossadas por políticos dos partidos derrotados na corrida presidencial de 2014, patrocinada por grandes empresários e promovidas pela mídia digital, impressa e televisiva - pararam o país. As imagens eram maravilhosas mostrando aquela massa pintada de verde e amarelo, com a camisa da seleção brasileira demonstravam seu ufanismo mal direcionado e uma certa ignorância.

Colocavam nos, até então, 14 anos de governo PT a culpa pela crise que o país enfrentava, pelo desemprego crescente e pela corrupção que, no entender dos menos atentos, era a maior da história do país. Cada medida tomada pelo governo pressionado era duramente rejeitada e criticada. Parecia que nada poderia satisfazer a massa (manobrada pela mídia) dar algum crédito à Dilma Rousseff. Fazia-se necessário mudar esse governo à força e isso aconteceu em 2016. Assume o vice. Uma onde de otimismo atinge o noticiário e o mercado. As medidas impopulares não pareciam mais ser tão ridículas.

A traição àqueles que apoiaram a subida de direita pela porta dos fundos veio instantaneamente. Dentre os ministros nomeados pelo novo presidente, alguns eram investigados pela Lava Jato. Não ouvi nenhuma panela bater; o governo acena com a reforma previdenciária aumentando a idade mínima para aposentadoria. Alguns murmúrios e choradeiras, mas nenhum patriota de verde e amarelo nas ruas; a reforma trabalhista nos promete tirar boa parte dos direitos conquistados ao custo do sangue de muitos no passado. O brasileiro parece surdo, mudo e cego; As mudanças no Ensino Médio tendem a segregar e institucionalizar a "educação do rico" e a "educação do pobre". Quem liga?

Mas, em meio a todo esse retrocesso há um lampejo de "preocupação" com a corrupção no país. Enquanto todos ignoram o que foi exposto no parágrafo acima, a mídia se preocupa em noticiar as investigações contra o Lula. Isso mesmo! Uma pessoa que não ocupa mais cargos no governo cujas decisões não afetará nenhum brasileiro tem mais espaço na mída do que a corrupção que, por incrível que pareça, continua ocorrendo após o PT deixar o poder. Diante de tudo isso, podemos concluir que tudo não passou de uma ilusão, que o brasileiro não liga para corrupção e que sempre ficamos indignados com aquilo que mídia (paga pelo empresariado) nos indicar.

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