sábado, 29 de agosto de 2015

A democracia não existe no Brasil

Disponível em <http://www.rosivaldotoscano.com/2013/11/
vivemos-em-democracia.html> Acesso em 28. ago. 2015.
Uma das coisas que mais admiramos da cultura grega antiga é a democracia. Hoje a consideramos a maior herança daquele povo e a admiramos e defendemos com unhas e dentes. A grandes nações "democráticas" intervém em outros regimes e impõe a outros países, de outros continentes, o "perfeito" regime democrático. A democracia, inclusive, serviu de justificativa para a instauração de regimes militares por toda a América Latina na segunda metade do século XX. 

Porém, a democracia não é tão maravilhosa assim como se pensa. Mesmo entre os gregos antigos, apesar de ser um grande inovação para o período, ela já se mostrava limitada. Apesar do termo significar "poder do povo" ou "governo do povo", não era de fato todo o povo quem participava. Só podiam acessar as instituições públicas apenas aqueles que eram considerados cidadãos em Atenas, sendo estes os homens maiores de 18 anos, filho de pai e mãe atenienses e na condição de serem livres. Dessa forma, estavam excluídos da participação política as mulheres, os estrangeiros e, obviamente, os escravos. Logo, o tal "governo do povo" era exercido por cerca de 10% da população.

Disponível em <http://historia7-penedono.blogspot.com.br/
2007/01/sociedade-de-atenas.html> Acesso em 28. ago. 2015

Hoje o regime democrático no Brasil não aponta descaradamente tal exclusão. Sabemos que hoje gozamos do sufrágio universal onde todos, absolutamente todos os brasileiros não só podem votar como são OBRIGADOS  a votar. Se a democracia é um regime que pressupõe liberdade, como é que podemos ser obrigados a fazer algo mesmo que contra a nossa vontade? Já encontramos a primeira contradição.

O nosso jogo democrático é absolutamente desigual e injusto. O financiamento dos partidos não são equivalentes. Enquanto alguns usufruem de imensa quantidade de verbas geradas por meio de "doações" de campanha, a maioria das legendas mal conseguem dispor de verbas básicas além do precário fundo partidário. A competitividade acaba prejudicada e a democracia de fato não é exercida nessas condições. 

Outros mecanismo utilizado na legislação eleitoral para poder burlar a democracia é a formação de coligações entre partidos. Nesse contexto, a coligação acaba acumulando o tempo de propaganda político partidário em rádio e televisão de cada partido fazendo com que, dessa forma, a coligação com maior número de partidos tenha maior tempo de exposição que é normalmente direcionado ao candidato principal, do partido cabeça da coligação. Que democracia é essa que dá aos concorrentes tempo diferente para exposição de suas ideias?

Os pequenos partidos além de prejudicados pelas coligações e tempo de televisão e rádio acabam, também, excluídos dos tradicionais debates. Isso se mostra igualmente prejudicial ao jogo democrático. O que determina se um partido pode participar ou não do debate na televisão é a sua pontuação nas pesquisas de intenção de voto e a sua representatividade na câmara. Ou seja, se o partido não tem nenhum deputado eleito ou não pontuou o suficiente para as emissoras em pesquisas, ele não participará dos debates. Quem tem o direito de decidir as propostas que eu não quero ouvir? A televisão?

Dessa forma acabamos por votar sempre nos mesmos, já que as pesquisas de intenção de voto inibem os que desejariam votar em alguém diferente alegando que esse candidato "não tem chance de ganhar". Quer que as eleições são decididas antes do dia da votação? Sim, na maioria das vezes é isso mesmo! Os mesmos sempre ganham por ser os únicos conhecidos do público, fato ocasionado pelos pontos colocados nos parágrafos acima. Portanto, a nossa falsa democracia transforma o pluripartidarismo, sistema legalmente vigente no país, em um bipartidarismo onde os dois ou três partidos que se alternam no poder defendem, quase sempre, os mesmos interesses fazendo com que nossos anseios terminam sempre frustrados. 

Esses pontos tão importantes para o sistema político brasileiro, nem sequer foram votados na pseudo reforma política, onde ocorreram apenas reformas sem nenhum grau de importância. Provavelmente a imposição de um tempo igual de televisão a todos os candidatos, a proibição da divulgação das pesquisas de intenção de voto e o fim do voto obrigatório (rejeitado na pseudo reforma desse ano) solucionariam o problema. Porém, uma reforma eleitoral, de fato, colocaria um fim na continuidade daqueles que governam o país há décadas e, infelizmente, não é isso que a classe governante quer.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Financiamento empresarial de campanhas: a raiz da corrupção

Disponível em <http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/07
/financiamento-privado-de-campanha-a-mae-de-toda-corrupcao.html>
Acesso em 27, ago, 2015
A Constituição Federal de 1988, em um de seus artigos, declara que o poder emana do povo. A autoridade exercida pelos nossos governantes e os poderes que possuem em mãos não são deles. Nós, o povo, é quem delegamos a eles parte do nosso poder para que possam administrar o país e governar para a gente, o povo.

Mas na prática, o que costumamos perceber é que o povo acaba sendo o último elemento a ser considerado quando se discute uma nova lei, planeja uma política econômica ou define a distribuição dos investimentos e verbas públicas. Em primeiro lugar vêm os padrinhos políticos, os colegas de partido, as alianças, o grande capital, o lucro e, por fim, em último lugar, o povo.

O que faz o povo ser preterido pelo dinheiro? A resposta é bem simples e direta: nossos políticos não governam para povo, eles governam para os que pagam mais. Como assim? Os políticos não são pagos pelos cofres públicos? Sim, mas para eles não parece ser o suficiente. Eles carecem de outras fontes para suprir suas “necessidades” e, com isso, se aliam aos grandes endinheirados do país.

Tudo começa pela campanha para as eleições. Já imaginou o custo para imprimir panfletos, colocar cavaletes, faixas, pintar muros, pagar as pessoas que trabalham em campanha, viagens, palcos e aparelhagem sonora pra fazer discursos, atores famosos para falar em seu favor. Ufa! Isso é extremamente caro e, o candidato não pode ou não quer assumir essa conta. Por isso, ele recorre aos grandes empresários, especuladores e latifundiários para entrar com verba de campanha. São as chamadas “doações”. Em teoria, o empresário investe por acreditar no ideal daquele candidato. Porém, na prática, ele faz um investimento que deverá trazer retorno no futuro. Isso é evidente quando observamos que várias empresas patrocinam diversos partidos diferentes. Quando você vota em um partido sabendo que ele recebe “doações” de grandes empresas, esteja certo de que dificilmente ele governará por você. O povo pode conseguir benefícios desde que estes não confrontem os interesses dos “doadores”.

As grandes empreiteiras que investem em campanhas levarão vantagens em contratos para obras públicas além de conseguir a manutenção dos salários baixos em virtude dos próprios lucros. Os grandes latifundiários conseguem sempre barrar a reforma agrária, garantir a exclusividade dos créditos agrícolas e obter as vista grossas do governo em suas atividades ilegais, como o uso de determinados agrotóxicos, o controle sobre as pessoas em sua “cidade” e o desmatamento. Os bancos conseguem manipular as taxas de juros e lucrar mesmo em períodos de crise. Em síntese, o legislativo e o executivo acabam sendo formados por representantes dos interesses privados e não dos interesses do povo.

Os financiadores de campanha são também os financiadores da corrupção. Eles são a fonte de propinas e do dinheiro que engrossa o enriquecimento ilícito da classe política. As propinas são dadas em troca de contrato fraudulentos, notas falsificadas, desvios de verbas, favorecimentos diversos. Contudo, quando falamos em corrupção, citamos apenas políticos (sobretudo de um determinado partido) e não os membros da fonte, os financiadores de campanhas.

Essa prática foi pauta da pseudo reforma política realizada este ano no Congresso. Após o projeto de lei que regulamenta a prática de doações empresarias de campanha ter sido rejeitada por quase 70 votos de diferença, o projeto foi aprovado na noite seguinte ao ser reapresentado pelo presidente da casa. O mais estranho nisso é o fato de quase 70 deputados mudarem o voto de uma noite para a outra, revertendo o resultado inicial.


Combater a corrupção é mais do que prender políticos de um único partido. A prática deve começar a ser enfrentada por nós mesmos. Temos pesquisar e obter o máximo de informações sobre aquele candidato que nos interessa. Se ele não for patrocinado por “doações” as chances de que ele governe pensando em seus interesses são maiores. O problema é que a nossa memória eleitoral é muito curta e nossa preguiça de pensar nos faz acreditar em opiniões prontas, proferidas por políticos em campanhas eleitorais.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A estratégia enganosa para combater a crise hídrica

Disponível em <http://www.portalmogiguacu.com.br/
materia.php?id=2358> Acesso em 25. ago. 2015
Você é daqueles que se preocupa rigorosamente em fechar a torneira da pia do banheiro enquanto escova os dentes? E quando está lavando louça, você faz o mesmo? É de habito seu tomar banhos extremamente curtos ou colocar sob seus pés algum recipiente para coletar a água em que se lavou para futuro reuso? Você se preocupa em não dar muitas descargas em seu banheiro por ser preferível aguardar que se urinem várias vezes nele a fim de economizar água? E aquele tal de "xixi no banho", você também faz? Parabéns! Provavelmente você foi condicionado com sucesso a seguir mecanicamente aquilo que aprendemos nas escolas e que vemos exaustivamente em campanhas para economia da água. E se eu afirmar que tudo que você aprendeu e faz repetidamente não chega nem perto de solucionar o problema da crise hídrica?

Em momentos de escassez (não é a primeira vez que isso no Estado de São Paulo) as campanhas publicitárias para economia de água recaem sempre nas costas da população mais humilde ou, como diz o ditado, "a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco". Parece que somos os únicos culpados pela falta da água, nossas mangueiras lavando as calçadas são o maior crime ambiental que um ser humano pode cometer. Em consequência desse tipo de vigilância passamos a ser fiscais e guardiões da água e ficamos de prontidão, dispostos a repreender e denunciar qualquer vizinho que se desvie do que foi determinado para salvar o nosso recurso tão precioso.


Disponível em <http://educador.brasilescola.com/estrategias-
ensino/a-distribuicao-agua-no-planeta.htm> Acesso em: 25. ago. 2015.
Quando começamos a analisar os dados estatísticos, começamos a perceber o tamanho de nosso equívoco ao agir da forma que as campanhas pela economia da água nos impõe. Primeiro vamos a alguns dados básicos sobre a distribuição da água no planeta. Todo mundo que prestou o mínimo de atenção nas aulas de Geografia sabe que, de toda água que temos no planeta, 97% é salgada, localizada nos mares e oceanos. Os outros 3% são de água doce, localizada nos continentes sobre diversos tipos de reservatórios. Mesmo a água doce sendo representante de ínfima fração de toda água no planeta, ela é abundante. Se pensarmos em quantidade, não precisamos nos preocupar, já que, segundo as estatísticas, temos disponível, em média, 6500 m³/pessoa/ano. Isso é bem mais do que a Organização Mundial da Saúde recomenda, que é em torno de 1500 m³/pessoa/ano. É por isso que não se deve acreditar nessas teorias catastróficas e alarmantes sobre um futuro apocalíptico provocado pelo fim da água potável em nosso planeta. O problema da escassez de água potável em várias partes do mundo, hoje, não residem na sua insuficiência e sim na sua má distribuição pelo globo.


Disponível em <http://www.mundoeducacao.com/geografia
/praticas-que-mais-consomem-agua.htm> Acesso em 25. ago. 2015
Contudo, o dado que nos interessa é mais surpreendente ainda. Quando comparamos o consumo da água por setores da economia, concluímos que não somos nós os maiores consumidores. A agropecuária é maior usuária da água potável no mundo. Ela absorve em torno de 70% da água disponível para o consumo humano. Dos 30% restantes, a atividade industrial utiliza a maior parte, 20%, sobrando apenas 10% para as residências. Logo, se pudéssemos fechar definitivamente todas as torneiras das residências, economizaríamos, no máximo, 10% da água potável disponível. Vemos então que as campanhas pressionam o setor errado para economizar. Justamente a nós, a parte mais fraca da sociedade, cabe a árdua tarefa de "salvar a água do planeta" enquanto os setores que mais consomem não recebem a mesma pressão.

Por que então não pressionar os grandes consumidores? Alguns já têm a resposta na ponta da língua: "se não gastar a água, como vão produzir os bem de consumo e os alimentos de que necessitamos?". Essa frase é um argumento muito frágil visto que existe formas inteligentes de economizar água sem afetar a produção. Várias fábricas provaram que, com ideias simples, conseguiram diminuir drasticamente seus gastos hídricos com técnicas de reuso. Na agricultura existem diversas técnicas que substituem os tradicionais irrigadores. O que falta é boa vontade dos grandes agropecuários e empresários para investir em novos sistemas que garantam uma maior economia e, ao mesmo tempo, a manutenção da produção. Outro motivo pelo qual os grandes não pressionados pelo governo é fato de eles serem os financiadores do próprio governo. Sabe-se que os grandes fazendeiros e os grandes empresários patrocinam campanhas políticas e, por isso, permanecem intocados na sociedade.

Engana-se quem acha que banhos mais curtos vai "salvar o planeta", já que, enquanto você economiza, outros gastam em quantidades muitas vezes maior que você pode poupar. Além disso, nosso país exporta cerca de 112 trilhões de litros de água por ano, que saem do Brasil para o mundo contida nos diversos gêneros agrícolas que exportamos.

Sabendo de tudo isso, devemos parar de economizar? Obviamente que não. A Declaração Universal dos Direitos da Água estipula que é responsabilidade de todos a sua preservação. Mesmo sendo um parcela ínfima, é uma parcela importante. Além disso, os desperdício é sentido no bolso, através do aumento da conta a ser paga todos os meses. O que devemos compreender é que não adianta assumirmos o posto de guardiões da água. Agindo com consciência, podemos nos organizar para cobrar quem elegemos e exigir medidas efetivas para a resolução do problema.

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domingo, 23 de agosto de 2015

Por que ser contra a redução da maioridade penal?

Punir menores como adultos resolverá
o problema da criminalidade?*
Essa postagem vai tratar de um assunto muito polêmico e delicado: a redução da maioridade penal. Para muitos o assunto já está definido, pois "bandido bom é bandido morto" e, aos 16 anos eles já têm "discernimento para saber o que é certo e o que é errado". Essas falácias são diariamente ouvidas ao ligarmos a televisão nos fins de tarde. A criminalidade é um produto que alimenta os bolsos daqueles que fazem dela um espetáculo que o público gosta de assistir de camarote, mas não de participar dele. Além de contribuir para formar opiniões equivocadas, esses programas vespertinos são, também, disseminadores do ódio e entusiastas daqueles que gostam de "fazer justiça com as próprias mãos".

Para entender a questão da redução da maioridade penal, é necessário que se analise alguns dados importantes. Qual a dimensão da participação dos menores de 18 anos em crimes hediondos? Desses participantes, qual a sua classe social? De que forma cresceram? Como se desenvolveram? Que tipo de educação tiveram? Qual a sua condição social? Com quem conviviam? Seus pais eram presentes ou ausentes? Para a turma do "bandido bom é bandido morto" nada disso importa, já que para eles a formação do caráter é uma questão de índole, algo que já nasce com a pessoa, coisa que não pode ser corrigida. Se você é criminoso, é porque você é uma pessoa ruim que deve ser punida de todas as formas possíveis.

Vários educadores já publicaram excelentes trabalhos comprovando, cientificamente, que o indivíduo é um produto de sua cultura e de sua sociedade. A formação de seu caráter é resultado de suas experiências e de seu meio de convívio. Mas esse tipo de informação os jornais vespertinos não divulgam, pois não é interessante para eles.

Qual é o status social dos menores infratores? A grande maioria deles, em primeiro lugar, não tiveram pai. São filhos de mães solteiras que, por necessidade, sempre foram muito ausentes em virtude do trabalho para a sobrevivência. Essas crianças estudaram em precárias escolas públicas, onde a falta de investimentos e verbas fizeram delas um ambiente repulsor ao invés de acolhedor. Muitos, inclusive, acabaram por evadir da escola, abandonando precocemente seus estudos. O seu convívio era o do dia a dia do crime, do tráfico e do status que o traficante tem em seu bairro. O sonho do garoto não é o do trabalho. Ele passa almejar a posição que o traficante tem, pois é ele quem acaba servindo de exemplo para as crianças. Para elas o trabalho se mostra como algo deteriorante, acaba com, afasta as mães dos filhos e garante a eles, no máximo, alimentação e manutenção da moradia, ambos precários. As moradias, aliás, são verdadeiros pesadelos. Localizam-se em áreas de risco e não dispõe da beleza e daquele mobiliário que se vê nas novelas da Rede Globo. Enfim, não são um lar, não são aconchegantes. Essa criança cresce assistindo propagandas que vão fazê-la desejar aquilo que não podem comprar: carros, roupas, calçados, eletrônicos e tudo mais que está na moda. E, finalmente, se tornará um adolescente sem estudos, sem base e sem oportunidades.

Acreditar que a criminalidade é questão de índole é admitir que "pobre não presta", pois é dessa classe a maioria dos infratores. Quer dizer que os adolescentes ricos são todos de boa personalidade já que eles quase nunca povoam esses noticiários vespertinos? Pois é, complicado. É fato que vemos muitos progredirem na vida vindo de péssimas condições materiais e familiares, mas estes são a exceção e não a regra.

Dentre os crimes cometidos no Brasil, apenas 1% são cometidos por menores de 18 anos, segundo dados da Unicef. Enrijecer a punição deles não coibiria a criminalidade, já que eles não são os principais criminosos. Cabe lembrar que grande parte desses menores infratores foram cooptados pelos grandes traficantes regionais em virtude de sua "impunidade". Mas, não surpreendentemente, a redução da maioridade penal não vai findar com essa atividade. Se os de 16 forem considerados adultos, os traficantes recrutarão dos de 14 e 15. Se estes no futuro também forem "maiorizados", os grandes criminosos agruparão os de 12 e 13 anos e assim por diante. No fim o que faremos? começaremos a abortar mulheres pobres? Será que é isso que queremos? Creio que não.

Os políticos que querem aprovar a redução não estão preocupados com a criminalidade. Sabe-se que boa parte desses "representantes do povo" foram, durante as eleições, patrocinados por empresários, muitos destes interessados na privatização do sistema prisional do país. Mas, por que privatizar os presídios? Matemática simples: As celas já não comportam o alto número de presos, somos umas das maiores populações carcerárias do mundo e o déficit de vagas é enorme. A condenação dos menores de 18 anos aos presídios levaria à uma sobrecarga ainda maior de um sistema saturado, motivando, assim, a privatização do sistema para que haja uma administração mais "eficiente" e "livre de corrupção" como creem os ingênuos defensores do iniciativa particular. E os empresários, por que se interessariam em assumir a administração de presídios? Simples! O consórcio seria pago, pelos cofres públicos, por quantidade de internos. Essa experiência é antiga nos Estados Unidos e, ao contrário do que defendem os esperançosos, a corrupção existe sim, com compra de juízes para condenar o maior número de pessoas possível para encher as celas ampliando, dessa forma, os ganhos. Tudo bem amarrado e articulado.

Por fim, devemos entender, mesmo que na prática não funcione, que o sistema prisional serve não só para punir mas também para educar e recuperar internos. Infelizmente essa lógica não é aplicada. O intuito de punir não é o da vingança e sim o da ressocialização. Punir mais é apenas aliviar a febre ao invés de combater a causa do problema, que é a exclusão social. Os países mais seguros do mundo não são os que mais vigiam e punem e sim os cujo a população tem mais mais oportunidades e pleno usufruto dos serviços públicos. Mas, se você acha que a prisão só deve servir para deixar o condenado quite com a vítima ou sua família, vá fundo. Defenda a redução da maioridade penal, mas defenda com consciência e não como um papagaio da opinião pública.

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*Imagem disponível em <http://portaln10.com.br/lei-vai-ficar-mais-dura-para-assassinos-de-policiais-e-menores-infratores/> Acesso em 23, ago, 2015.

sábado, 22 de agosto de 2015

O mito da Indústria da Multa

Radares de prontidão para autuar motoristas
em excesso de velocidade.*
Nas últimas semanas o trânsito virou assunto principal na cidade de São Paulo. Mas não por causa do caos, da lentidão e da confusão de sempre. Na verdade os assuntos em torno do trânsito nessas últimas semanas se devem às últimas decisões tomadas pela Prefeitura do Município de São Paulo e sua Secretaria de transportes. A ampliação da fiscalização aos infratores e as reduções de velocidade estão entre os assuntos preferidos dos críticos da atual administração municipal.

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**Imagem disponível em: <http://portaldotransito.com.br/noticias/acontecendo-no-transito/novo-radar-brasileiro-e-capaz-de-detectar-uso-do-cinto-de-seguranca> Acesso em 22, ago, 2015.

domingo, 16 de agosto de 2015

Como o Bolsa Família está revolucionando o Brasil

A permanência na escola é fundamental para que as 
crianças possam ter oportunidades no futuro.* 
Um mantra muito repetido pelos papagaios que acham que entendem de política e sociedade diz respeito aos programas governamentais de transferência de renda. "Não temos que dar o peixe, temos que ensinar a pescar". Aposto que todo mundo já ouviu essa frase. Os programas de transferência de renda são usados para atacar o governo atual e é qualificado pelos críticos como mecanismo para comprar votos, garantir sua continuidade no poder, obter popularidade e criar uma "massa de preguiçosos que não trabalham só para receber do governo". Um absurdo proferido é o de que as famílias ficam tendo filhos em escala quase industrial para garantir a manutenção e até mesmo o aumento do valor do benefício.

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*Imagem disponível em: <http://www.ticokuzma.com.br/noticias/proposto-credito-de-r-23-milhoes-para-obras-em-escolas-2> Acesso em 16. ago. 2015

**Dados extraídos do site do IBGE: www.ibge.gov.br


Dia 16/08/2015 - Mais um espetáculo de analfabetismo político no Brasil

Uma das manifestações contra o PT 
onde grupos pediam a volta do regime militar.*

A nossa população conhece a forma como se dá a distribuição dos poderes no Brasil? Seria esperança demais imaginar que pelo menos 15% dos brasileiros já procuraram acessar a Constituição Federal de 1988 para examinar a nossa legislação afim de conhecer as atribuições de cada poder, os direitos e deveres de todos os cidadãos, a legislação sobre voto e, por fim, as possibilidades de impeachment

Pedir a derrubada da atual presidente é acreditar que ainda vivemos no absolutismo. Naquele tempo em que o rei tinha poder sobre a vida e morte de qualquer um de seus súditos. Ele era o juiz e, ao mesmo tempo, o legislador. Basta um decreto, um anúncio. Sua palavra era a lei. Ou seja, a administração de um reino estava nas mãos de um única pessoa. A mudança de um rei poderia implicar profundas transformações no reino, sejam elas boas ou ruins.

Em vista do que foi lido no parágrafo acima, cabe a pergunta: Você acredita mesmo que a mudança de presidente vai implicar em profundas transformações para o nosso país? Num país que, além da presidente, conta com 513 deputados federais e 81 senadores, além de vários governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores, podemos mesmo atribuir a culpa pela conjuntura atual a um só indivíduo ou a um só partido entre dezenas que participam da administração pública?

Este artigo, em nenhum momento, está se preocupando em defender a presidente e seu partido. É reconhecível sua forma de governar, seus equívocos e seus muitos pontos negativos. Isso é inegável. Declaro, também, não ser simpatizante do partido que atualmente ocupa o poder executivo neste país. O intuito deste artigo é combater o analfabetismo político e a falta de conhecimento que nos tornam facilmente manipuláveis e nos faz seguir uma ideologia e um sonho que não são nossos. 

Os pedidos de impeachment, no meu ver, não passam de demonstração de não aceitação da derrota. Aqueles que querem a troca no executivo são os que não digeriram o fato de terem perdido. Não estão dispostos a esperar 4 anos para tentar novamente. A grande massa que comparece aos eventos pela saída da presidente, em muitos casos (talvez a maioria), são pessoas influenciadas pela mídia, pelo noticiário onde o que é informado é cuidadosamente selecionado. Basta uma notícia negativa sobre o atual governo que as redes sociais fervilham. Estratégia inteligente e perfeita. A indignação também é seletiva.

Dessa forma, acabamos por ir ás ruas lutar pelo que não é nosso. Por um sonho que não temos e, na forma como a sociedade é gerida atualmente, dificilmente iremos realizar. Somos uma grande massa de manobra para que uma minoria consiga atingir seus objetivos para depois nos descartar. Infelizmente, poucos se abrem para pensar racionalmente, usar a lógica e tentar ver as coisas por outro lado. 

Dia 16/08/2015 foi dia de manifestação. Torci, inutilmente, para que não fosse um espetáculo da bizarrice, da burrice e da ignorância, como nas duas últimas, ocorridas nesse mesmo ano, o ano da democracia desde que meu candidato seja eleito.

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*Imagem disponível em: <http://www.marcoaureliodeca.com.br/2014/11/05/manifestacoes-anti-dilma-sao-golpistas/> Acesso em 16. ago. 2015.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Vivendo no mundo imaginário da meritocracia

Moradores de rua: Seriam eles o principais 
culpados pelo seu fracasso social?*
"Quem batalha consegue". "Quem quer corre atrás". "Se você não conseguiu, você foi incompetente". Não é comum nos depararmos com esses tipos de frase clichês. Elas seguem a lógica do capitalismo, uma vez que estimulam a competitividade e eximem os governos e a sociedade de culpa por determinadas situações. Essas frases exemplificam o conceito de meritocracia, tão enraizado em nossa sociedade. Viramos zumbis caminhando em uma direção que determinaram para gente e condenamos aqueles que simplesmente não conseguem suportar esse caminho ou os que não aceitam seguir essa rota.

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*Imagem disponível em: ,http://sensacionalista.uol.com.br/2013/06/21/mendigos-apoiam-campanha-vem-pra-rua/> Acesso em: 15. ago. 2015.

A educação e sua função utilitarista na atualidade*



*Capítulo contido no meu trabalho de Conclusão de Curso

“O sistema escolar moderno não surgiu por acaso e muito menos foi pensado e iniciado a partir de baixo, dos interesses dos dominados e excluídos” (VESENTINI, 2006, p. 16). Com isso, a falta de fé no conhecimento por parte dos alunos da educação básica se deve ao fato desta servir à lógica do mercado.
Sua íntima ligação com os interesses capitalistas de ressocializar as massas, adaptar as pessoas a um mercado de trabalho em (re) construção, inculcar uma ideologia nacionalista necessária àquele momento histórico (VESENTINI, 2006, p. 16)
acaba por transformar a educação em mero produto. Com isso, o conhecimento se torna inútil e desinteressado a partir do momento em que ele não tem função prática no mercado de trabalho.

Esse novo valor dado ao processo educativo pela sociedade é resultado da expansão da globalização, fenômeno responsável por mundializar o mercado, a produção, a técnica e a tecnologia, o capital e a educação. Nesse contexto,
com as atuais mudanças no mercado de trabalho, suscitadas pela revolução técnico-científica, o capitalismo necessita cada vez mais de uma força de trabalho qualificada e com elevada escolaridade (VESENTINI, 2006, p. 19-20).
Logo, “a atual expansão capitalista, inclusive no Brasil, precisa elevar a escolaridade da população em geral e não somente de uma elite” (VESENTINI, 2006, p. 20) construindo uma educação básica planejada para atingir metas e formar mão de obra sem senso crítico que atenda de forma amigável ao grande capital. 

No mundo globalizado onde só é valorizado aquilo que é prático, o processo educativo acaba adquirindo uma função pragmática. “Um resultado perverso que afeta a educação é a produção da ignorância moderna, a desqualificação do homem em seu lugar” (OLIVA, 2006, p. 47). Os estudantes, em diversas áreas do conhecimento e em diversos níveis do ensino, estão preocupados com sua posição no mercado. A escola tem como função básica mobilizar competências centradas no desempenho, pois “surgem novas exigências em relação às competências e habilidades entendidas como necessárias ao trabalhador capaz de se inserir no mundo em mudança cada vez mais acelerada”(LOPES. 2010. p.92). A lógica da competitividade se faz presente no ensino desde os primeiros momentos da vida escolar. Ao visar “maior competitividade e desempenho, além de reforçar valores como individualismo, meritocracia e competência” (LIBÂNEO, 2012, p. 263), a educação formal não atende as demandas pelo desenvolvimento escolar, pela eficiência do trabalho pedagógico ou pela emancipação do indivíduo. Pelo contrário, o indivíduo acaba ficando cada vez mais preso ao sistema e sua lógica quando se vê obrigado a se adequar a ela.

A educação passa a ser tratada apenas como números. Enfatizam-se os dados estatísticos e ignora-se a realidade. A era atual, na educação formal, caracteriza-se pela “pedagogia do exame”(LUCKESI, 2008, p. 18) onde “o sistema de ensino está interessado nos percentuais de aprovação/reprovação do total dos educandos” (LUCKESI, 2008, p. 18).

O pragmatismo e a lógica estatística fazem predominar atualmente uma hipervalorização do resultado e não do processo de ensino/aprendizagem. “O que predomina é a nota: não importa como elas foram obtidas e nem por quais caminhos” (LUCKESI, 2008, p. 18). As provas, em lugar de avaliar e diagnosticar eventuais “erros” no caminho da aprendizagem, servem agora como instrumento de tortura e ameaça. Os alunos estudam para tirar nota e não para aprender. Exatamente por isso, é muito comum que eles esqueçam dentro de pouco tempo aquilo lhes foi ensinado, pois o que ocorre é o decorar para ir bem na prova e não o aprender para a vida, seja pela simples obtenção de conhecimento, seja para aplicar ao mercado.

Essa mentalidade não atinge somente os educandos. Os pais acabam por absorver a mesma lógica preocupando-se com os números finais. Não importa se o filho adquiriu e alcançou de forma satisfatória o conhecimento previsto pelo professor. Se ele não alcançou a nota esperada, esse conhecimento é inútil. “Os pais, cujos filhos apresentam notas significativas, não sentem necessidade de conversar com os professores de seus filhos” (LUCKESI, 2008, p. 19). Ou seja, não me interessa como pai, como meu filho socializa com os colegas e professores, que tipo de cidadão ele está se tornando, de que forma se dá o processo de aprendizagem dele, desde que suas notas estejam alcançando aquilo que eu idealizei para ele.

Com os estabelecimentos de ensino não é diferente. Sejam públicos ou particulares, eles estão preocupados com as estatísticas. Porém, “a aparência dos quadros estatísticos, por vezes, esconde mais do que nossa imaginação é capaz de atentar” (LUCKESI, 2008, p. 20). A escola zela por apresentar resultados finais satisfatórios ao governo, à clientela e à sociedade. A escola pública se vê engessada pelo bônus, pago aos profissionais da educação em determinados estados e municípios pelo desempenho de seus alunos, a ser medido por meio das avaliações externas. Portanto, o sistema de ensino “produz novas exigências para o professor capaz de garantir a formação de tal trabalhador”(LOPES. 2010. p. 92), cuja mentalidade deve seguir os ditames do Estado que “passa do estatuto de provedor para o de regulador, atuando como auditor na avaliação dos resultados alcançados pelos mercados internos”(LOPES. 2010. p. 92).

Com escolas particulares, não é muito diferente uma vez que 
o sistema privado de ensino, cada vez mais escravizado à lógica do mercado, burocratiza as metodologias pedagógicas, enfeitando-as com signos de modernidade, tais como a informática e o marketing e subordina a fruição do conhecimento a outros objetivos, que não são a educação como um valor social. (OLIVA, 2006, p. 38)
Logo, a instituição privada enfatiza o resultado, prioriza o ranqueamento das escolas a fim tornar seu produto atrativo para novos clientes com uma faixa exposta em que aparece a posição de seus alunos no ranking do ENEM, por exemplo. Isso demonstra claramente a educação como mais um produto a ser comercializado. Quando um pai retira o seu filho da escola pública para colocá-lo em um colégio particular ele, na verdade, quer que essa criança seja mais produtiva, que apresente melhores resultados.

Para garantir a perpetuação da mentalidade competitiva e meritocrática, existe um sistema de vigilância constante do que é ensinado nas escolas e de que tipo de cidadão está sendo formado. No caso das instituições particulares, quem vigia é o mercado regulador junto com o Estado, este, encarregado, também, de exercer o controle sobre as escolas públicas. Luckesi explica como se dá essa vigilância e controle quando escreve que
devido ao fato de que, se um instituição escolar inicia um trabalho efetivamente significativo do ponto de vista de um ensino e de uma correspondente aprendizagem significativa, social e politicamente, o sistema “coloca o olho” em cima dela. Pode ser que essa instituição, com tal qualidade de trabalho, esteja preparando caminhos de ruptura com a “normalidade”. Contudo, se apresentar bonitos quadros de notas e não tiver atentando contra o “decoro social”, ela estará muito bem. Porém, caso esteja agindo um pouco à margem do “normal” (ou seja, na perspectiva da formação de uma consciência crítica do cidadão), será autuada (LUCKESI, 2008, pp. 20-21).
E ele finaliza:
Enquanto o estabelecimento de ensino estiver dentro dos “conformes”, o sistema social se contenta com os quadros estatísticos. Saindo disso, os mecanismos de controle são automaticamente acionados: pais que reclamam da escola; verbas que não chegam; inquéritos administrativos etc (LUCKESI, 2008, p. 21).
Por fim, acabamos por produzir um “sistema escolar (...) [que] (...) foi e ainda é funcional e até estratégico para a reprodução da sociedade capitalista ou moderna” (VESENTINI, 2006, p. 16).


Biobliografia

LIBÂNEO, José Carlos; OLIVEIRA, João Ferreira de; TOSCHI, Mirza Seabra. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2012.

LOPES, Alice Casimiro; LOPEZ, Silvia Braña. A performatividade nas políticas de currículo: o caso do ENEM. Educ. rev., Belo Horizonte , v. 26, n. 1, Apr. 2010 . p. 92. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-46982010000100005&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 17 Out. 2014.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 19. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

OLIVA, Jaime Tadeu. Ensino de geografia: um retardo desnecessário. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri (org). A geografia na sala de aula. 7. ed. São Paulo: Contexto, 2006. p. 34-49.

VESENTINI, José William. Educação e ensino de geografia: instrumento de dominação e/ou libertação. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri (org). A geografia na sala de aula. 7. ed. São Paulo: Contexto, 2006. p. 14-33.

sábado, 8 de agosto de 2015

O dia em que eu resolvi debater a Greve dos Professores

Uma greve vai ser sempre um assunto polêmico. Principalmente quando ela é cercada de elementos importantes como "a obstrução do direto de ir e vir", "a vagabundagem daqueles que deveriam estar trabalhando ao invés de fazer greve", "essa gente que se irrita com o governo e desconta na população" e episódios extremos onde ocorre quebra-quebras e/ou confronto generalizado dos reivindicantes com a polícia, força genuinamente ocupada de garantir a ordem estabelecida.

Esses pensamentos, fortemente alimentados pela mídia, sobre grevistas contribuem para manter a desunião de uma classe social e fragmentar os trabalhadores em categorias dificultando o alcance do objetivo comum de todos eles: o salário digno, o reconhecimento de sua importância e o tempo para viver para si. Esse assunto (antigo, já que a greve se encerrou há algum tempo) me veio à tona enquanto olhava fotos antigas que eu publiquei no Facebook.

Certa noite, após um dia inteiro de trabalho, fiz o que sempre faço de hábito: olhar a movimentação no Facebook. Num determinado momento, rolando meu feeds, me deparei com uma postagem da Rádio Band News FM, do dia 23 de abril de 2015, que noticiava a ação extrema de manifestantes tentando entrar a força na sede Secretaria da Educação apresentando um pequeno vídeo. Então, como de hábito, resolvi analisar os comentários.

Fiquei chocado com a quantidade de comentários denegrindo e criticando de forma firme os causadores da confusão. Até então tudo bem, é normal, as pessoas sempre reagem assim quando veem cenas de violência, depredação e confronto. Porém, tive que entrar na conversa quando as criticas passaram a ser direcionadas não ao fato ocorrido, mas à classe dos professores. Como uma classe tão importante pode ser tão mal reconhecida nesse país? É fato que a opinião pública direcionada pelas grandes mídias sobre a greve contribuem, e muito, para os pré-julgamentos.

Resolvi responder alguns comentários da postagens. Não se trata de soberba ou de arrogância, mas eu tinha que usar o meu conhecimento e minha capacidade de argumentação para defender minha classe. segue abaixo uma fotografia do comentário e minha resposta a ele:

Crítica à violência e confrontos durante uma manifestação
Podemos verificar no comentário do respeitado cidadão de bem os esteriótipos mais comuns dos antigrevistas a favor da "ordem", do "direito de ir e vir" e da "moral e da ética". Em minha resposta procurei fazer um resgaste histórico pra mostrar o quão foi importante os movimentos sociais para aquisição de direitos tomando como modelo conquistas importantes como o fim da escravidão no Brasil e a Consolidação das Leis do Trabalho.

Até então tudo bem, até que uma pessoa, que esbravejava em vários comentários da postagem e se dedicava ao máximo em procurar erros ortográficos dos professores que ali expunham suas ideias, vir me responder no comentário do dito cidadão de bem:

Comentário equivocado de quem acha que a má qualidade
do ensino público é culpa exclusivamente dos professores


Essa pessoa, também ávida defensora da moral e dos bons costumes, se mostrava extremamente alterada e esbravejava as mesmas coisas que o primeiro cidadão havia escrito, porém, de forma muito mais agressiva. A pessoa demonstrou um indício ainda maior de que ela é manipulada pela mídia ao enquadrar o professor no pacote dos "funcionários públicos" com aquela crença de que todos são preguiçosos, que nenhum presta, que eles só querem saber de sugar o "nosso suado dinheiro", querem viver ás custas da população e que, graças a eles, SOMENTE GRAÇAS A ELES, os serviços públicos são uma porcaria. Não contente, a pessoa ainda comparou os professores grevistas aos professores da rede particular onde, segundo ela, "os professores funcionam". Somado a isso, ainda culpou os professores de escolas públicas por ter que ter pago escolas particulares ao longo da vida.

Claro que ela devia pensar que eu era um dos professores grevistas, mas já não atuava na rede estadual naquele tempo. Resolvi responder o comentário usando a minha experiência de ter atuado nos dois meios, o público e o privado:

Refutação ao comentário anterior, onde demonstro os
motivos de eu ser mais produtivo em colégio particular.

Depois disso, não obtive mais respostas. Prefiro, para o meu ego, crer que ela não tinha mais argumentos, mas pode ser que simplesmente se cansou, ou ficou sem internet, ou até mesmo pode ter falta energia elétrica na casa dela. Sei lá. Pode ter acontecido qualquer coisa. O fato é que não obtive mais respostas, de ninguém. Mas lembrei dela ter mencionado como ponto negativo o fato de bandeiras de partido serem empunhadas no movimento grevista. Então aproveitei para explicar, historicamente, a falsidade do apartidarismo e o perigo do antipartidarismo.

Sobre a necessidade de nos apoiar em partidos que
defendem nossos direitos, refutando o apartidarismo.

Também não houve resposta, mas fiquei feliz por poder debater porque é isso que eu gosto de fazer. O debate é a essência da democracia. Esse meu hábito é antigo, o de olhar os comentários nas postagens para iniciar a discussão, no bom sentido, com opiniões conflitantes com a minha. Acho enriquecedor.

Pra quem interessar, a postagem original se encontra neste link: https://www.facebook.com/radiobandnewsfm/videos/vb.245513265559924/746493668795212/?type=2&theater 

Acompanhe as postagens do blog no Twitter: twitter.com/henriquepcruz
Postagem de abertura

Boa noite!

É com imenso prazer que anuncio o abertura de meu primeiro blog. Sempre imaginei um espaço onde posso expor minhas ideias e pensamentos a respeito da realidade atual. Esse blog não é um monólogo. Pra mim é extremamente importante que vocês possam comentar e dar suas opiniões sobre o assunto discutido, o andamento do blog, o teor das postagens, além de críticas e elogios, que serão sempre bem vindos.

Sobre mim:

Sou Licenciado em Geografia e atualmente leciono Geografia e História para alunos do Ensino Fundamental II. Já atuei em escolas estaduais de São Paulo, mas no momento estou fixo apenas em uma unidade escolar da rede particular de ensino. Tenho projetos futuros como, por exemplo, o ingresso no mestrado e a atuação no ensino superior.

Sobre o blog

Como professor, eu entendo que devemos formar cidadãos para a autonomia e independência intelectual e ideológica. O que eu espero do meu aluno é que ele saiba interpretar a realidade que o cerca, que saiba filtrar as informações que no mundo atual são intermináveis, além de obter todas as habilidades e competências necessárias para se encontrar na vida atual.

Sou um ávido crítico da educação atual, tanto em sua metodologia, quanto em sua prática. Combato firmemente o tradicionalismo puro nas escolas e a educação voltada exclusivamente para formar trabalhadores mecânicos, que agem de forma automatizada e não questionam a realidade presente. Acredito na educação que valorize o conhecimento pelo conhecimento. A sabedoria e a experiência devem estar acima de qualquer valor pragmático. 

Esse blog também foi criado para contribuir no combate a alienação e a desinformação. Na era digital, as informações circulam facilmente e isso dá margem difusão de ideias equivocadas que em nada contribuem para a formação do cidadão pensante. As postagens que visualizo no meu feeds de notícias no Facebook me dá uma dimensão do quanto a desinformação, má intenção ao divulgar e criar postagens e o ódio pelo ódio estão assolando a juventude.

Não pretendo ser nenhum grande teórico da educação ou das Ciências Humanas. Não creio que minhas ideias serão capazes de, sozinhas, transformar o mundo. Apenas quero compartilhar o que penso. Por que vou começar a fazer isso aqui? Sempre publiquei em minha página do Facebook ou do Twitter, mas senti a necessidade de um espaço dedicado exclusivamente para isso. Em breve, será criado, também, um canal no Youtube para a divulgação de discussões e opiniões em vídeo, aguardem. De início pretendo colocar uma postagem semanal. Com o tempo posso pensar em diminuir este intervalo.

Bom, espero que gostem e acompanhem o blog e que ele realmente possa contribuir em algo para a formação cidadã ou, pelo menos, satisfazer a curiosidade de vocês.

Abraços,

Até o próximo post!