sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Consciência Negra sim!



Estamos em meio a mais um feriado. Esse, sempre que comemorado, acaba causando polêmica. Não é incomum as pessoas questionarem o nome da data comemorativa e alegar que a comemoração nada mais é do que um "racismo inverso". ...

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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Por que não debatemos a democracia?





Democracia!

Afinal, quem é ela? No que consiste essa palavra que remete a algo que nos parece sagrado, indissolúvel, dogmático? Na religião política, essa é verdade que ninguém pode contestar, a divindade mais bela e perfeita, que jamais deverá ser imaculada. Ela compõe dentro do sistema global a dualidade onde a ditadura é o "coisa ruim". ...

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sábado, 1 de outubro de 2016

O manobrista das massas



O Brasil realmente está mudando. E pra pior! Apostamos que os problemas do país, que nos assolam por séculos pareciam estar sendo causados por apenas uma pessoa ou um partido. Pensamos que sem ele nos veríamos livres da corrupção, não teríamos mais de nos preocupar com as injustiças e automaticamente veríamos nossa economia crescer, os empregos brotarem e o bem estar social vigorar em um mundo maravilhoso cheio de arco-íris e unicórnios! 

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domingo, 25 de setembro de 2016

A destruição do Ensino Médio



O novo governo parece não ter limites em sua jornada para desmobilizar e submeter a classe trabalhadora. Depois de acenar com a revisão das leis trabalhistas e a reforma da previdência, o ordem agora é destruir o Ensino Médio. Alegando construir uma escola mais interessante e que atenda à modernidade, o que o novo ministro da educação propõe é um verdadeiro absurdo!

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sábado, 4 de junho de 2016

Impeachment: Garçom, pode trazer a conta!

Charge de Marco Aurélio*


O governo interino começa com péssimas notícias. A economia do país está um caos e providências para retomar o crescimento e livrar o Brasil da recessão têm de ser tomadas o quanto antes. Nesse momento todos nós temos de fazer sacrifícios. É hora de darmos as mãos e caminharmos juntos para que o novo governo dê certo, os empregos sejam retomados, a educação se torne de primeiro mundo, a previdência não quebre e não sejamos mais divididos entre vermelhos e amarelos. Agora temos de estar todos juntos pelo Brasil, finalmente seremos felizes com o fim da ditadura do PT!

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*Imagem disponível em <https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwi0vuTy2I7NAhXMGh4KHUQ0CasQjhwIBQ&url=http%3A%2F%2Fzh.clicrbs.com.br%2Frs%2Fnoticias%2Fnoticia%2F2015%2F05%2Fmarco-aurelio-aumento-do-judiciario-4766102.html&psig=AFQjCNHo6k577BatQaWLIotiVk5xk-eZGA&ust=1465140770806336>. Acesso em 04. jun. 2016.



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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Abaixo à mordaça aos professores!

 

Vivemos uma onda conservadora. O avanço da direita nos últimos anos e o tradicionalismo que estamos presenciando ganha cada vez mais força. Na internet discursos racistas, antifeministas, homofóbicos e classistas são avidamente defendidos por uma grande quantidade de pessoas. Políticos de caráter fascista e de ideias retrógradas, como os membros da bancada evangélica por exemplo, caem no gosto de parte da população e o discurso anticomunista sem fundamento nos fazem vivenciar o macarthismo da Guerra Fria.

Em meio a essa onda conservadora, pipocam no legislativo brasileiro, em todas suas esferas (municipal, estadual e federal), projetos de lei que versam sobre a opinião do professor em sala de aula. Alguns chamam essa prática de assédio ideológico. Esses projetos partem de combatentes contra a educação progressista e libertadora. Normalmente eles partem daqueles que odeiam Paulo Freire e acreditam, erroneamente, que seu método é aplicado no Brasil e está nos transformando em um país de comunistas. Há algum tempo, inclusive, um ex-colunista de uma grande revista reacionária escreveu um artigo bem contundente conclamando os pais a fiscalizarem as aulas de Geografia e História que são ministradas aos seus filhos, no temor dos professores estarem os transformando em pequenos comunas vermelhos.

Na verdade o temor de quem propõe esses projetos, ou condena a postura crítica do professor em sala de aula, não é em relação ao comunismo. Eles temem uma educação libertária. O surgimento de uma geração consciente e atuante os assusta. Já dizia a música Geração Coca-cola, da Legião Urbana, no trecho em canta que "Vamos fazer nosso dever de casa/ Aí então vocês vão ver/ Suas crianças derrubando reis/ Fazer comédia no cinema com as  suas leis". Na era da informação a juventude passa ter capacidade de mobilização e atuação em seu meio. Acompanhamos, por exemplo, as ocupações de escolas públicas pelos estudantes por qualidade na educação. Calar os professores, limitá-los a ler o que está escrito, colocar-lhes uma mordaça e obrigá-lo a reproduzir o discurso da direita é uma forma de inibir o surgimento dessa geração, a geração que poderá transformar verdadeiramente o país.

Exigir neutralidade do professor é uma tarefa impossível. Em qualquer meio é difícil não pender para um dos lados de uma discussão. Além disso, como dizem vários sociólogos e filósofos, ao assumir a neutralidade, estamos automaticamente favorecendo o dominador. Não tem como eu tratar de História e Geografia sem criticar a desigualdade, sem enaltecer os movimentos sociais, sem defender as minorias e sem analisar o lado podre da mídia. Não é questão de ser socialista ou não, é uma questão de análise do espaço. De que vale a falsa neutralidade enquanto a televisão discursa a favor da direita? Nada! Aprendi com grandes autores da Geografia - Milton Santos, Yves Lacoste, David Harvey, Josué de Castro, entre outros - que disfarçar a disciplina de ciência contribui para a continuidade dos problemas que vivenciamos. As ciências humanas devem sim ter um caráter militante e, se não fosse para querer transformar a sociedade, não teria me tornado professor. A neutralidade é uma ilusão e devemos deixar isso bem claro aos nossos alunos. Mas faço sempre questão de destacar que minha aula reflete as minhas opiniões e experiências de vida, que não devo em momento algum ser copiado como um espelho, que minhas ideias  sejam seguidas cegamente. Sempre prezei pela análise profunda e nunca inibi meus alunos por ter opiniões contrárias às minhas, só os estimulo a construírem argumentos sólidos e plausíveis dentro daquilo que eles acreditam.

Amordaçar o professor é calar a juventude, é produzir robôs que só repetem sim. Devemos lutar contra isso pela qualidade da educação e pela real transformação social, desejo nosso desde os tempos coloniais, mas que nunca se concretizou por causa da reprodução do capitalismo, que nos consome e nos destrói há mais de quinhentos anos.

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sexta-feira, 27 de maio de 2016

A praga da cultura do estupro



Um crime bárbaro e brutal. Trinta rapazes abusaram sexualmente de uma garota de dezesseis anos no Rio de Janeiro. Um fato que deixou os brasileiros atônitos, chocados, estupefatos com o nível em que pode chegar a imbecilidade humana. A divulgação de um vídeo, por parte de um dos agressores, durante o evento torna o fato ainda mais estúpido e mostra o ar de tranquilidade daqueles que o praticaram. Nesse momento, a sociedade clama por uma só coisa: justiça. Voltam os discursos que defendem a pena de morte, a prisão perpétua, o fim da maioridade penal, a castração química, a internação de maníacos sexuais, a premiação do policial que mata, a defesa dos que fazem justiça com as próprias mãos, a condenação imediata dos envolvidos e que os mesmos apodreçam na cadeia.

Acho muito justo esses clamores da sociedade por justiça, afinal, quem não está indignado com isso? Até mesmo a extrema direita que extinguiu o "ministério das mulheres" e propôs projetos para limitar o atendimento à vítimas de estupros manifestou sua indignação com o ato. Mas a justiça vai, no máximo, servir de paliativo, apenas aliviará a dor daqueles que veem a barbaridade do crime e não consegue suportar a selvageria em que vivemos. Mas a justiça resolverá o problema dos casos de estupros? Ninguém é idiota e sabe que esse não foi o primeiro e não será o último. Esse crime é muito recorrente no Brasil e não será a punição severa que o fará diminuir. Afinal, de que vale colocar câmeras de vigilância depois que sua casa já foi invadida? De que adianta aumentar o policiamento depois que inúmeros assaltos se repetiram em determinados bairros? Essas perguntas não querem dizer que eu não quero que se faça a justiça. É óbvio que os autores de um crime tão chocante não devem ficar impunes. Mas o acontecido deve servir para que se levante outro debate: Qual é a influência da cultura do estupro nisso tudo? 

O que me deixou tão horrorizado quanto o crime foram os comentários e opiniões que diziam "mas também, o que estava fazendo na rua a essas horas", "quem manda andar com roupas curtas?", "se é vagabunda, mereceu!". Em um momento em que vivemos um debate tão intenso pela defesa das minorias, ler e ouvir esses tipos de afirmações mostra que ainda não estamos preparados para lidar com a diversidade. O pior, têm aqueles que acham o máximo o homem se aproveitar da mulher. Classificam-o como esperto, "pegador". Infelizmente esse tipo de opinião vem de quem deveria dar o exemplo, mas, se achando o maior piadista do mundo, ensina o contrário. Observe a imagem abaixo:



É hora de discutir o quanto a educação patriarcal, que sempre subjugou as mulheres, influencia nos casos de estupro. Será que é só a impunidade que permite ao homem abusar das mulheres? Claro que não! O homem faz o que faz porque foi criado entendendo que é o dono delas, aprende-se desde criança a tratar a mulher como objeto, que a função da mulher é satisfazer e cuidar do homem, que toda a mulher tem de ser "bela, recatada e do lar", como escreveu um renomado periódico brasileiro. Ou seja, os homens estupram por acreditar, mesmo que inconscientemente, que têm esse direito.

Agora é hora do movimento feminista ganhar força! É hora, mais de que nunca, das mulheres exigirem os seus direitos e suas prioridades. É o momento daqueles que dizem, no feriado do Consciência negra, que preferem comemorar a "Consciência Humana" colocar em prática o sentimento de humanidade que diz ter. É hora que reconhecer, não só nas mulheres mas em todas as minorias, a opressão que sofrem, o massacre que as vitima, o sofrimento silencioso que são obrigadas a suportar e, quando resolvem gritar, são taxadas de histéricas, loucas, "feminazis", mal amadas e coisas do tipo. Devemos punir sim! E com muito rigor. Mas o inimigo maior não são o estupradores e sim a cultura do machismo e do estupro.
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