domingo, 19 de fevereiro de 2017

O brasileiro e sua indignação seletiva



Ano de 2015. Mal começava o segundo mandato de Dilma Rousseff e o povo (segundo a grande mídia) já não a queria mais. Gigantescas manifestações - convocadas por movimentos conservadores, endossadas por políticos dos partidos derrotados na corrida presidencial de 2014, patrocinada por grandes empresários e promovidas pela mídia digital, impressa e televisiva - pararam o país. As imagens eram maravilhosas mostrando aquela massa pintada de verde e amarelo, com a camisa da seleção brasileira demonstravam seu ufanismo mal direcionado e uma certa ignorância.

Colocavam nos, até então, 14 anos de governo PT a culpa pela crise que o país enfrentava, pelo desemprego crescente e pela corrupção que, no entender dos menos atentos, era a maior da história do país. Cada medida tomada pelo governo pressionado era duramente rejeitada e criticada. Parecia que nada poderia satisfazer a massa (manobrada pela mídia) dar algum crédito à Dilma Rousseff. Fazia-se necessário mudar esse governo à força e isso aconteceu em 2016. Assume o vice. Uma onde de otimismo atinge o noticiário e o mercado. As medidas impopulares não pareciam mais ser tão ridículas.

A traição àqueles que apoiaram a subida de direita pela porta dos fundos veio instantaneamente. Dentre os ministros nomeados pelo novo presidente, alguns eram investigados pela Lava Jato. Não ouvi nenhuma panela bater; o governo acena com a reforma previdenciária aumentando a idade mínima para aposentadoria. Alguns murmúrios e choradeiras, mas nenhum patriota de verde e amarelo nas ruas; a reforma trabalhista nos promete tirar boa parte dos direitos conquistados ao custo do sangue de muitos no passado. O brasileiro parece surdo, mudo e cego; As mudanças no Ensino Médio tendem a segregar e institucionalizar a "educação do rico" e a "educação do pobre". Quem liga?

Mas, em meio a todo esse retrocesso há um lampejo de "preocupação" com a corrupção no país. Enquanto todos ignoram o que foi exposto no parágrafo acima, a mídia se preocupa em noticiar as investigações contra o Lula. Isso mesmo! Uma pessoa que não ocupa mais cargos no governo cujas decisões não afetará nenhum brasileiro tem mais espaço na mída do que a corrupção que, por incrível que pareça, continua ocorrendo após o PT deixar o poder. Diante de tudo isso, podemos concluir que tudo não passou de uma ilusão, que o brasileiro não liga para corrupção e que sempre ficamos indignados com aquilo que mídia (paga pelo empresariado) nos indicar.

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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Consciência Negra sim!



Estamos em meio a mais um feriado. Esse, sempre que comemorado, acaba causando polêmica. Não é incomum as pessoas questionarem o nome da data comemorativa e alegar que a comemoração nada mais é do que um "racismo inverso". ...

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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Por que não debatemos a democracia?





Democracia!

Afinal, quem é ela? No que consiste essa palavra que remete a algo que nos parece sagrado, indissolúvel, dogmático? Na religião política, essa é verdade que ninguém pode contestar, a divindade mais bela e perfeita, que jamais deverá ser imaculada. Ela compõe dentro do sistema global a dualidade onde a ditadura é o "coisa ruim". ...

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sábado, 1 de outubro de 2016

O manobrista das massas



O Brasil realmente está mudando. E pra pior! Apostamos que os problemas do país, que nos assolam por séculos pareciam estar sendo causados por apenas uma pessoa ou um partido. Pensamos que sem ele nos veríamos livres da corrupção, não teríamos mais de nos preocupar com as injustiças e automaticamente veríamos nossa economia crescer, os empregos brotarem e o bem estar social vigorar em um mundo maravilhoso cheio de arco-íris e unicórnios! 

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domingo, 25 de setembro de 2016

A destruição do Ensino Médio



O novo governo parece não ter limites em sua jornada para desmobilizar e submeter a classe trabalhadora. Depois de acenar com a revisão das leis trabalhistas e a reforma da previdência, o ordem agora é destruir o Ensino Médio. Alegando construir uma escola mais interessante e que atenda à modernidade, o que o novo ministro da educação propõe é um verdadeiro absurdo!

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sábado, 4 de junho de 2016

Impeachment: Garçom, pode trazer a conta!

Charge de Marco Aurélio*


O governo interino começa com péssimas notícias. A economia do país está um caos e providências para retomar o crescimento e livrar o Brasil da recessão têm de ser tomadas o quanto antes. Nesse momento todos nós temos de fazer sacrifícios. É hora de darmos as mãos e caminharmos juntos para que o novo governo dê certo, os empregos sejam retomados, a educação se torne de primeiro mundo, a previdência não quebre e não sejamos mais divididos entre vermelhos e amarelos. Agora temos de estar todos juntos pelo Brasil, finalmente seremos felizes com o fim da ditadura do PT!

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*Imagem disponível em <https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwi0vuTy2I7NAhXMGh4KHUQ0CasQjhwIBQ&url=http%3A%2F%2Fzh.clicrbs.com.br%2Frs%2Fnoticias%2Fnoticia%2F2015%2F05%2Fmarco-aurelio-aumento-do-judiciario-4766102.html&psig=AFQjCNHo6k577BatQaWLIotiVk5xk-eZGA&ust=1465140770806336>. Acesso em 04. jun. 2016.



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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Abaixo à mordaça aos professores!

 

Vivemos uma onda conservadora. O avanço da direita nos últimos anos e o tradicionalismo que estamos presenciando ganha cada vez mais força. Na internet discursos racistas, antifeministas, homofóbicos e classistas são avidamente defendidos por uma grande quantidade de pessoas. Políticos de caráter fascista e de ideias retrógradas, como os membros da bancada evangélica por exemplo, caem no gosto de parte da população e o discurso anticomunista sem fundamento nos fazem vivenciar o macarthismo da Guerra Fria.

Em meio a essa onda conservadora, pipocam no legislativo brasileiro, em todas suas esferas (municipal, estadual e federal), projetos de lei que versam sobre a opinião do professor em sala de aula. Alguns chamam essa prática de assédio ideológico. Esses projetos partem de combatentes contra a educação progressista e libertadora. Normalmente eles partem daqueles que odeiam Paulo Freire e acreditam, erroneamente, que seu método é aplicado no Brasil e está nos transformando em um país de comunistas. Há algum tempo, inclusive, um ex-colunista de uma grande revista reacionária escreveu um artigo bem contundente conclamando os pais a fiscalizarem as aulas de Geografia e História que são ministradas aos seus filhos, no temor dos professores estarem os transformando em pequenos comunas vermelhos.

Na verdade o temor de quem propõe esses projetos, ou condena a postura crítica do professor em sala de aula, não é em relação ao comunismo. Eles temem uma educação libertária. O surgimento de uma geração consciente e atuante os assusta. Já dizia a música Geração Coca-cola, da Legião Urbana, no trecho em canta que "Vamos fazer nosso dever de casa/ Aí então vocês vão ver/ Suas crianças derrubando reis/ Fazer comédia no cinema com as  suas leis". Na era da informação a juventude passa ter capacidade de mobilização e atuação em seu meio. Acompanhamos, por exemplo, as ocupações de escolas públicas pelos estudantes por qualidade na educação. Calar os professores, limitá-los a ler o que está escrito, colocar-lhes uma mordaça e obrigá-lo a reproduzir o discurso da direita é uma forma de inibir o surgimento dessa geração, a geração que poderá transformar verdadeiramente o país.

Exigir neutralidade do professor é uma tarefa impossível. Em qualquer meio é difícil não pender para um dos lados de uma discussão. Além disso, como dizem vários sociólogos e filósofos, ao assumir a neutralidade, estamos automaticamente favorecendo o dominador. Não tem como eu tratar de História e Geografia sem criticar a desigualdade, sem enaltecer os movimentos sociais, sem defender as minorias e sem analisar o lado podre da mídia. Não é questão de ser socialista ou não, é uma questão de análise do espaço. De que vale a falsa neutralidade enquanto a televisão discursa a favor da direita? Nada! Aprendi com grandes autores da Geografia - Milton Santos, Yves Lacoste, David Harvey, Josué de Castro, entre outros - que disfarçar a disciplina de ciência contribui para a continuidade dos problemas que vivenciamos. As ciências humanas devem sim ter um caráter militante e, se não fosse para querer transformar a sociedade, não teria me tornado professor. A neutralidade é uma ilusão e devemos deixar isso bem claro aos nossos alunos. Mas faço sempre questão de destacar que minha aula reflete as minhas opiniões e experiências de vida, que não devo em momento algum ser copiado como um espelho, que minhas ideias  sejam seguidas cegamente. Sempre prezei pela análise profunda e nunca inibi meus alunos por ter opiniões contrárias às minhas, só os estimulo a construírem argumentos sólidos e plausíveis dentro daquilo que eles acreditam.

Amordaçar o professor é calar a juventude, é produzir robôs que só repetem sim. Devemos lutar contra isso pela qualidade da educação e pela real transformação social, desejo nosso desde os tempos coloniais, mas que nunca se concretizou por causa da reprodução do capitalismo, que nos consome e nos destrói há mais de quinhentos anos.

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